Maiden in Rio

Por Marcos Evangelista Lobato

Exatamente às 15h00 do dia 22 de setembro de 2013, domingão, debaixo do insano calor carioca, juntamente com um casal de amigos, chego ao terminal de ônibus circulares da estação da Central do Brasil e embarco na linha 318 rumo à colossal Cidade do Rock, e depois de duas horas cruzando toda a zona sul, já ensopado pelo mormaço que lá assolava, chego à zona de entrada, uma área que corre esgoto a céu aberto e que vivem uma população quase miserável numa rica e luxuosa região da Barra da Tijuca.

Depois de todo o tempo gasto no coletivo, ainda fiquei por uma hora na fila que se formava para passar por todas as revistas da organização, e como era um festival, misturavam-se camisas do Maiden, Slayer, Metallica, AC\DC e uma grande leva de camisas do Avenged Sevenfold e pelo menos na fila a galera parecia que guardava forças para os grandes concertos, e pouco se via dos gritos de guerra das bandas.

maiden_fila

Às 18h10min consigo adentrar na Cidade do Rock, que a primeira vista nada mudou da edição de 2011, a não ser pelas filas de entrada que aumentaram, mesmo com a diminuição do público diário de 100.000 para 85.000 pessoas e logo após a entrada, se deu uma grande correria para assistir o restante do show Helloween + Kai Hansen, que no momento mandavam If I Could Fly, mas o show acabou depois de uns 10 minutos e praticamente não deu para sentir a energia, mas a recepção da galera parecia positiva.

Às 18h30min estava marcado pra começar o show do Kiara Rocks, que sinceramente eu nunca tinha ouvido falar e que poderia ter sido o típico show pra dar aquela passada no banheiro e comprar as fichas da birita, se inesperadamente no meio da apresentação, o vocalista Cadu Pelegrini não tivesse chamado ao palco ninguém mais, ninguém menos, que Paul Di’Anno, o primeiro vocalista do Iron Maiden que entre outros clássicos, mandaram Wrathchild, que foi uma das músicas mais executadas em sua época no Maiden.

maiden_paul

Às 19h30min em ponto, voltei ao Palco Sunset para o show do Sepultura + Zé Ramalho e apesar de sido bem visto pela crítica especializada, na opinião de quem estava na arena só prestou mesmo o show do Sepultura. Zé Ramalho entrou faltando apenas uns 20 minutos para o final do show e sinceramente, não vi nada de interessante na parceria, mas pelo menos não vaiaram o grande Avohai.

Às 20h30min no Palco Mundo entraram em cena o “Co-Main Event” da noite que tradicionalmente no Rock in Rio é a antepenúltima atração, os Reis do Trash Metal, Slayer. Gosto principalmente, porque eles colocam uma bandeira da banda ao fundo, e já começam a descer uma pancada atrás da outra, sem muita produção, mas levando a galera ao delírio. World Painted Blood começou hipnotizando todos da plateia e Tom Araya com seu visual cada vez mais cabalístico, parecia um “ser” querendo ser salvo das trevas. Mesmo com todas os problemas enfrentados pela banda em 2013, como a saída do excelente baterista Dave Lombardo em fevereiro por desentendimentos financeiros, e principalmente com a morte do guitarrista Jeff Hanneman em maio, vítima de insuficiência hepática, sendo esse homenageado de forma emocionante no decorrer do concerto, era visível um certo ar de tristeza e Tom Araya que se mostrava muito abatido, o que em nada interferiu na apresentação, que fechou com Raining Blood e Angel of Death.

maiden_palco

Às 22h10min começou o show do Avenged Sevenfold, esse que pouco assisti, pois aproveitei pra dar um pulo na Rock Street e dar uma bela relaxada na grama e me preparar adequadamente para o concerto da donzela de ferro, mas no que deu para analisar do show, foi que ele é muito bem produzido, com bons músicos e que segurou muito bem a onda para o Iron Maiden.

O que eu fiquei mais impressionado nesse Rock in Rio foi a pontualidade das atrações, que estavam até parecendo “padrão FIFA de Copa do Mundo”, e cada vez mais, artistas problemáticos como Axl Rose, vai sendo excluído pelo profissionalismo do mercado musical, além de ser um super respeito com o público começar uma atração no horário combinado.

maiden_bruce

Exatamente às 00h08min do dia 23 de setembro, numa segunda-feira (e tem gente que ainda a odeia) foi ouvida “Doctor Doctor do Ufo”, sempre usada pelo Iron Maiden na abertura dos seus shows, e como bons britânicos às 00h10min o telão se iluminou com imagens de uma geleira, remetendo ao álbum Seventh Son of a Seventh Son, começando ali a terceira participação do Maiden em um Rock in Rio, sendo estas em 1985, 2001 e 2013, e desta vez revivendo a clássica turnê Maiden England World Tour que abrange canções do álbum Iron Maiden de 1980 até o álbum Fear of the Dark de 1992. Com total ênfase ao álbum Seventh Son of a Seventh Son de 1987, este sendo um álbum conceitual, que conta a história do Sétimo Filho do Sétimo Filho que é um menino que nasceu com os mesmos poderes de Jesus (se não for o próprio Jesus), e que é detentor de poderes especiais, brigando contra o demônio para não se perder na ganância e seguir o caminho do mal. O álbum é simplesmente sensacional e logo escreverei algo bem legal a seu respeito.

Pois bem, Moonchild abre o show e mesmo não sendo uma das músicas mais conhecidas pela geração Fear of the Dark, já emociona os que a escutam, e logo depois mandaram porradas que tremeram a Cidade do Rock, como The Prisioner, 2 Minutes to Midnigth, Afraid to Shoot Strangers (com medo de atirar em estranhos) que se mostra cada vez mais atual com os rumores de conflitos nucleares em vários países. The Trooper e The Number of The Beast agitaram as rodas espalhadas e me fez quase entrar em processo de desidratação, já que é impossível falar que se foi no show do Maiden e não entrou na roda do The Number, e o interessante fato da fraca chuva que caiu na hora da execução da melodia, lembrando que não choveu no festival em nenhum dia e logo após a execução da música o tempo voltou a firmar, continuando assim pelo resto do show.

Phatom of the Opera parecia mais um musical estrelado por Bruce Dickinson, o cara cada vez melhora mais sua presença de palco, os dos guitarristas nem há o que se comentar, até porque como o Maiden não renova o “set list” em suas turnês, as guitarras faltam pouco dedilhar sozinhas, se bem que achei Dave Murray bem mais inspirado que o Adrian Smith. Janick Gers é um persona a parte e apesar de muitos não gostarem, sou fã de sua técnica, Nicko como sempre brincava com sua bateria contendo uns 25 pratos, sempre com aquele belo sorriso, e o patrão Steve Harris quase estourando seu baixo com suas famosas cavalgadas com a marca do West Ham de Londres (onde ele foi jogador profissional por alguns anos), o que é sempre um show parte.

Run to the Hills foi outro ápice das rodas do metal contagiando quase todos os presentes, logo após Wasted Years fez todos se emocionarem com seus solos de guitarra cada vez mais preciosos, até que chegou a vez da execução da Seventh Son of a Seventh Son, a mais aguardada do concerto, lembrando que essa música representa O Sétimo Filho totalmente consciente de seus poderes e em determinados momentos parece quase que somos transportados para outra dimensão. A parte instrumental é absurda e simplesmente emocionante levando às lágrimas milhares de “Maiden Maníacos” inclusive esse pobre fã que lhes escreve.

Depois da parte emocionante encerrada por The Clairvoyant, é hora de voltar às pancadas e Fear of the Dark resume bem isso, é incrível como eu não consigo escutar essa música em estúdio, mas ao vivo ela se transforma em um hino maravilhoso, por ser a mais comercial, até os bebês de colo a conhecem, sendo a de melhor participação do público, levantando poeira na Cidade do Rock.

Já no bis mandaram Aces High, The Evil That Men Do e Running Free fechando com chave de ouro o festival que mais tem a ver com a cara do Maiden, pois se formos analisar friamente o Iron Maiden não é a banda que faz o show mais bem produzido, não é a banda que toca por mais tempo, não é banda que inova no “set list”, mas é impossível imaginar outra que represente tão bem o evento, por duas horas, até mesmo quem não curte a banda ficaria completamente hipnotizado de ver a forma como eles parece brincar no palco. Com o Iron Maiden temos a impressão que estão tocando em casa, parecem conhecer cada quadrado daquele território, portanto nada melhor que mudar o nome do festival e passar de Rock in Rio para MAIDEN IN RIO, e aí sim os anfitriões poderão escolher a dedo seus convidados para uma casa que já é deles por direito.

maiden_galo

Como nem tudo são flores a saída foi traumática, mais de duas horas preso em filas intermináveis, chuva fraca e vento comendo, mostrando que ainda temos muito que evoluir em matérias de grandes eventos, principalmente na logística de multidões. Abre o olho Brasil e abre o olho direção do Maiden in Rio.

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